9.9.03

Arte: Gerald Thomas e a bunda murcha

Gerald Thomas baixou a calça e a cueca após ser vaiado no Teatro Municipal do Rio pelo público que foi assistir à sua versão da ópera Tristão e Isolda, de Wagner. Os homens de "espírito livre", e de bom gosto, que viram as imagens devem ter pensado: "porra, que bunda murcha e feia." Mas os homens em regra são moralistas, e moralistas de uma forma superficial, e a opinião que predominou foi a de que ele ofendeu a todos, não esteticamente, mas moralmente, ao colocar as parcas nádegas à mostra.

Gerald alegou que ofendeu quem o ofendeu. Afirmou também que o mostrar a bunda fez parte do espetáculo. Disse que o Brasil é o país das bundas. Que todos aqui ganham a vida com a bunda. Acima de tudo clamou pela liberdade de expressão artística, que supostamente deveria ser mais ampla do que a mera liberdade de expressão. Depois pediu desculpas a todos. O Ministério Público pode denunciá-lo na esfera criminal em breve com base no art. 233 do Código Penal: ato obsceno.

Vi apenas uma peça de Gerald: "Esperando Beckett", com Marília Gabriela. Vi também várias entrevistas que Gerald fez na TV-UOL e tive a curiosidade de ler alguns artigos escritos por ele no Jornal do Brasil. O que tenho a dizer sobre ele com base no que eu vi e li é apenas que não gosto dele, não tenho a menor admiração. Acho-o um embusteiro metido a espirituoso, a conhecedor de livros e de arte. Acho o modo com que ele trata as pessoas, sempre com ironiazinhas, sempre de forma a colocar-se acima, sempre ofensivo, merecedor da mais veemente reprovação. Acho-o um enorme espertalhão. Quem o acha interessante só o pode fazer por conta de ele citar (mal) autores europeus, por conta de ele falar alemão e coisas do gênero, as quais sempre impressionam os menos maduros. É cair numa esparrela sem tamanho.

Tão murcho e ofensivo quanto a bunda dele. Simples assim.

(As afirmações de antropologia cultural, filosóficas e literárias feitas por Gerald mereceriam uma análise à parte. Um dia fá-la-ei, creio.)