3.8.03

Literatura: Charles Baudelaire (1821–1867)

Madrigal triste
QUE m’importe que tu sois sage?
Sois belle! et sois triste! Les pleurs
Ajoutent un charme au visage,
Comme le fleuve au paysage;
L’orage rajeunit les fleurs.

Je t’aime surtout quand la joie
S’enfuit de ton front terrassé;
Quand ton cœur dans l’horreur se noie;
Quand sur ton présent se déploie
Le nuage affreux du passé.

Je t’aime quand ton grand œil verse
Une eau chaude comme le sang;
Quand, malgré ma main qui te berce,
Ton angoisse, trop lourde, perce
Comme un râle d’agonisant.

J’aspire, volupté divine!
Hymne profond, délicieux!
Tous les sanglots de ta poitrine,
Et crois que ton cœur s’illumine
Des perles que versent tes yeux!

Je sais que ton cœur, qui regorge
De vieux amours déracinés,
Flamboie encor comme une forge,
Et que tu couves sous ta gorge
Un peu de l’orgueil des damnés;

Mais tant, ma chère, que tes rêves
N’auront pas reflété l’Enfer,
Et qu’en un cauchemar sans trêves,
Songeant de poisons et de glaives,
Éprise de poudre et de fer,

N’ouvrant à chacun qu’avec crainte,
Déchiffrant le malheur partout,
Te convulsant quand l’heure tinte,
Tu n’auras pas senti l’étreinte
De l’irrésistible Dégoût,

Tu ne pourras, esclave reine
Qui ne m’aimes qu’avec effroi,
Dans l’horreur de la nuit malsaine
Me dire, l’âme de cris pleine:
‘Je suis ton égale, ô mon Roi!’


Tradução livre
Que me importa que tu sejas sábia?
Sê bela! e sê triste! As lágrimas
Acrescentam charme ao rosto,
Como o rio à paisagem;
O temporal revitaliza as flores.

Amo-te sobretudo quando a alegria
Escapa de tua face sóbria;
Quando teu coração em horror perde-se;
Quando sobre teu presente espalham-se
As nuvens sombrias do passado.

Amo-te quando teu olho grande verte
Água quente como sangue;
Quando, apesar de minha mão que te embala,
Teu agonizar, pesado em demasia, devasta-te
Como a respiração crepitante de um moribundo.

Desejo, volúpia divina!
Hino profundo, adorável!
Todos os soluços de teu peito,
E creio que teu coração se ilumina
De pérolas que teus olhos vertem.

Sei que teu coração, que transborda
De antigos amores esmagados,
Flameja ainda como uma fornalha,
E que tu nutres em tua garganta
Um pouco do orgulho dos condenados à danação.

Mas tanto, querida, que teus sonhos
Não terão refletido o Inferno,
E que neles um pesadelo sem trégua,
Sonharão venenos e punhais,
Paixão de pó e de ferro.

Abrirão somente à cada aterrorizado,
Deslindarão a desgraça em todo lugar,
Estremecer-te-ão quando a hora chegar,
Tu não terás sentido o abraço
De Horror irresistível,

Tu não poderás, escrava rainha
Que somente amas com terror,
No horror da noite malsã
Dizer-me, a alma aos gritos:
“Eu sou tua igual, ó meu Rei!”