23.8.03

Imprensa: Roberto Pompeu de Toledo

Já falei anteriormente do clown shakesperiano Diogo Mainardi (pego-me elogiando-o?). Na mesma revista, entretanto, há algo mais refinado, de espírito lúcido, e só superado na imprensa brasileira por alguns poucos, entre os quais Boris Fausto, que escreve na Folha de S. Paulo. Mas Boris Fausto não é jornalista, é historiador, o que talvez torne a comparação inválida.

Roberto Pompeu de Toledo tem uma das melhores colunas jornalísticas do Brasil. Seu domínio da língua é peculiar. Sua escrita é refinada, sem solavancos. Ao lermos-lo sentimo-nos em contato com algo de bom nível, bem pensado, cuidadoso.

Vejamos como Toledo termina a coluna desta semana:

"Os Estados Unidos, que antes da guerra esnobaram a ONU quanto puderam, na semana passada articulavam junto ao Conselho de Segurança uma resolução que permitisse o envio de uma força internacional ao Iraque, para ajudar na segurança do país. Antes da guerra o governo Bush dizia que, o.k., se o Conselho de Segurança aprovasse uma intervenção armada no Iraque, tanto melhor, mas que, caso não aprovasse – como não aprovou –, paciência, os Estados Unidos se encarregariam do serviço sozinhos. Os EUA de George W. Bush faziam questão de alardear que não estavam nem aí para a opinião dos outros países nem para a lei internacional. Agora convidam os soldados de outros países para morrer com os deles. Eles estão brincando. Só podem estar brincando. Ainda mais que acalentam a idéia de atrair tropas da ONU, mas manter o comando sobre elas, assim como o monopólio das decisões políticas e econômicas sobre o Iraque. À prepotência e à incompetência, os Estados Unidos de Bush acrescentam o escárnio."

É isso.