25.8.03

Diálogo 2

-- Existem duas posturas ao escrever: escrever pra si ou escrever pra ser lido. Quem escreve pra si não precisa se deter a nenhum ditame moral; quem escreve para outrem, deve tratá-lo com respeito.

-- Se alguém põe seus pensamentos ou sentimentos num papel, sempre há o desejo, por mais recôndito que seja, de ser lido, um dia... Caso contrário, por que diabos fá-lo-ia?

-- Falo do que predomina. Algumas pessoas escrevem predominantemente por uma necessidade de ordem interna. Se elas não escrevessem, como diz Rilke sobre os verdadeiros escritores, morreriam.

-- E esse moralismo ao escrever a outrem? Parece-me que arte e moral não se confundem. Lembre-se de Shakespeare e do texto 'O que é arte?' de Tolstoy. Esse acusa aquele de não edificar nenhum valor moral em suas peças. A tradição deu bem maior razão a Shakespeare do que a Tolstoy. Veja o exemplo de Wilde.

-- Não se trata de moralismo, de edificar valores, trata-se apenas de não tentar enganar o leitor, seja de que forma for. É o escritor ter respeito pelo leitor tal como se ele mesmo leitor fosse ele escritor.

-- Você não sabe o que diz. Isso não tem o menor sentido. É ridículo.