22.1.04

Elogios

Com não rara freqüência eu recebo elogios por este blog. Claro que há satisfação nisso (e não se trata exatamente de sentir meu ego massageado). Mas há junto com a satisfação um outro sentimento. Explico-me: "não esperamos por elogios", disse Nietzsche, "e sim por ecos". Ou seja, esperamos que uma alma fale a nossa alma como se a nossa própria alma falasse a ela mesma. Provavelmente assim nos sintamos menos sozinhos, e menos incompreendidos. Devo revelar que é bem desagradável saber-se elogiado pelo que sei não ser, e pelo que não intentei expressar. Resta-me nesse caso apenas agradecer, simulando estar contente, mas na verdade decepcionado, e sentindo-me ainda mais isolado.

Escrevemos para nós mesmos. Caso eu mesmo um dia leia-me, adoraria ouvir meu eco. Nunca o ouvi. Até hoje eu falei muito, às vezes alto, às vezes baixo, às vezes com algum desespero, à beira da loucura. Mas meu eco mesmo eu nunca ouvi. Apenas o silêncio e alguns fantasmas recorrentes, que teimam em assombrar-me não apenas à noite, mas durante o tempo todo.