Era um jovem universitário, estudante de Economia, área esmagadoramente dominada por autores e livros vindos dos EUA.
Os cabelos foram lavados com algum shampoo do megagrupo norte-americano Procter & Gamble. Havia também, naquela manhã, feito a barba com uma lâmina da também norte-americana Gillete. Usou o creme pós-barba da alemã Nívea. Como iria passar horas sob o sol, achou por bem usar o protetor solar da francesa L'Oréal.
Nos pés, um caríssimo tênis da alemã Adidas, porém feito na China. Usava um jeans Levis, norte-americano. A camiseta era da Hering, brasileira (embora fundada por imigrantes alemães). Nela, podíamos ler em destaque a conhecida frase do médico argentino, e líder da Revolução Cubana, Ernesto "Che" Guevara: "hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamas!".
Soube daquela passeata na noite anterior, ao receber em seu computador da marca japonesa Sony, com processador norte-americano AMD, monitor holandês Philips e leitor de CDs coreano, da LG, um e-mail de amigos, alegando já não poderem mais ser coniventes com aquele estado de coisas.
Caminhava e gritava:
-- Não a um novo acordo com o FMI! Não à Globalização! Fora capitalismo internacional! Não ao superávit primário!
Depois da passeata, voltou à faculdade, entrou em seu francês Renault e foram comer algo no Shopping Center, invenção americana. Não, eles não comeram no americano MacDonald's, e sim na americana Pizza Hut, que se tornou a maior vendedora do mundo de um produto inventado na Itália -- a pizza.