24.7.03

Feminino 4

Débora

Droga!

Estou aqui sentada no alpendre de casa com um copo de vinho na mão, vendo o mar e ouvindo música. Ainda não troquei a roupa com que cheguei da rua. Se o que fiz foi correto ou não eu não sei. Só sei que o fiz. Que coisa horrível!

Depois do trabalho eu estava exausta e sentindo-me sozinha. Resolvi então ir para um barzinho perto de lá. Não resolvi ao acaso. Sabia que veria alguém: um colega de trabalho.

Lá chegando, sentei-me e comecei a beber sozinha. Ele estava lá sim, com outros colegas de trabalho. Claro que pus-me à vista dele. E à disposição dele. Deu certo: ele veio até mim, sozinho.

Fiquei feliz sim, claro. O joguinho de sedução estava dando certo.

Porra! Porra! Porra!... Puta que pariu!

No decorrer da conversa tive uma impressão que estragou tudo. Aaaaaaaah! Comecei a achar que todos ali sabiam que ele iria... me comer!

O jeitinho dele, o sorrisinho, a forma de conversar, o arzinho arrogante de quem acha que tudo são favas contadas. TUDO! tudo fez parecer que ele e todos sabiam que ele iria me comer! Fiquei super incomodada com aquilo. E sem entender de onde todos tinham tirado aquela idéia. Fiquei curiosa e insegura em saber que pareciam saber de algo que eu não sabia, em saber que a situação não estava sob o meu controle.

Mas eu sou muito mais inteligente do que esse bando de palermas com o saco cheio de esperma. Não me fiz de rogada: tirei cinqüenta reais da bolsa e, com um sorriso de quem tinha sacado tudo, com um sorriso vitorioso, como que dizendo que não preciso de merda de homem nenhum, coloquei-o na mesa, despedindo-me. Detalhezinho importante: eu havia bebido apenas três doses de whisky. Deixei o babaca lá sentado sozinho, frustrado porque não provou para ninguém que iria me comer.

O pior foi, voltando para casa sozinha no carro, aquele mar escuro da noite ao lado, aquela lua... e o celular tocando com a seguinte mensagem: "ei... pq vc foi embora?" Argh!

Merda de homens!

Estou bêbada. Acho que vou ligar para Clara. Não. Acho que vou para meu quarto mesmo, tirar a roupa, fazer umas coisas e dormir. Preciso consolar o corpo.